Instituto ligado ao câncer pede redução do uso de agrotóxico no Brasil

Publicado por iRadio em Brasil

Publicado em 08 de abril, 2015 | Nenhum Comentário

Agência Brasil

Inca diz que aumento do uso nos últimos anos devem se refletir em ainda mais casos da doença em 15 ou 20 anos

Agência Brasil

O Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) se posicionou nesta quarta (8) contra o modo como os agrotóxicos são usados no Brasil. O órgão publicou um documento no qual ressaltou os riscos dessas substâncias para a saúde, como a contribuição para a incidência de câncer.

“O modelo de cultivo com o intensivo uso de agrotóxicos gera malefícios, como poluição ambiental e intoxicação de trabalhadores e da população em geral”, diz o documento, que, além de apontar as intoxicações causadas imediatamente após a exposição, também enumera efeitos que aparecem após anos de exposição: “Dentre os efeitos associados à exposição crônica a ingredientes ativos agrotóxicos podem ser citados infertilidade, impotência, abortos, malformações, neurotoxicidade, desregulação hormonal, efeitos sobre o sistema imunológico e câncer”.

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A recomendação do instituto é que se adote “a redução progressiva e sustentada do uso de agrotóxicos”, prevista no Programa Nacional de Redução de do Uso de Agrotóxicos e a produção agroecológica, segundo a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica.

O Inca explica no documento que a presença de agrotóxicos não se restringe a produtos in natura, como legumes e verduras, mas também existe em alimentos industrializados com ingredientes como trigo, milho e soja: “A preocupação com agrotóxicos não pode significar a redução do consumo de frutas, legumes e verduras, que são alimentos fundamentais em uma alimentação saudável e de grande importância na prevenção do câncer”.

O coordenador de ensino do Inca, Luis Felipe Pinto, destacou que o Brasil é o país para o qual a discussão é mais importante, já que ele é o principal consumidor de agrotóxicos do mundo e tem forte contribuição da agricultura em sua economia. Segundo ele, “O Inca não faz isso por achismo ou por questão ideológica. Segue as evidências cientificas, fruto do trabalho de sua equipe e de cientistas no mundo inteiro”.

Pinto justifica o alerta afirmando também que a Organização Mundial de Saúde e o Inca prevêem que, em 2020, o câncer se torne a principal causa de morte no Brasil. Para ele, os efeitos do aumento do uso de agrotóxicos nos últimos anos devem se refletir em ainda mais casos da doença em 15 ou 20 anos: “Houve uma explosão dos pesticidas. Em 10 anos, subiu oito vezes e meia o gasto econômico [com agrotóxicos], o que é um indicador disso”.

Para o produtor orgânico Alcimar do Espírito Santo, há grande interesse dos agricultores em mudar sua produção para orgânica, mas hesitações econômicas ainda são um entrave. “Há toda uma cultura da agricultura convencional, em que eles já estão acostumados com seus compradores”, diz ele, que explica também que a transição é difícil, porque a terra que recebia pesticidas e fertilizantes precisa “descansar” por um tempo para produzir produtos livres dessas substâncias.

Leia também: Conheça alguns truques para eliminar os agrotóxicos de frutas e verduras

O nutricionista do Inca Fábio Gomes afirma que a população que trabalha no campo é a mais afetada pelos agrotóxicos e recomenda que a economia orgânica seja incentivada pelos consumidores: “É preciso valorizar os produtos orgânicos. E também interferir e sugerir aos legisladores e tomadores de decisão para que eles possam valorizar a produção de produtos livres de agrotóxicos, inclusive encarecendo a produção dos outros produtos”.

Confira abaixo quais alimentos analisados têm maior teor de contaminação, segundo avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa):

Pimentão: 91,8% das amostras de pimentão continham agrotóxicos.

Pimentão: 91,8% das amostras de pimentão continham agrotóxicos.

Foto: Divulgação

Morango: 63,4% das amostras coletadas continham agrotóxicos.

Morango: 63,4% das amostras coletadas continham agrotóxicos.

Foto: R

Pepino: 57,4% das amostras coletadas pela Anvisa continham agrotóxicos.

Pepino: 57,4% das amostras coletadas pela Anvisa continham agrotóxicos.

Foto: Getty Images

Alface: 54,2% das amostras estavam contaminadas.

Alface: 54,2% das amostras estavam contaminadas.

Foto: Getty Images

Cenoura: 49,6%.

Cenoura: 49,6%.

Foto: Getty Images

Abacaxi: 32,8% das amostras estavam contaminadas

Abacaxi: 32,8% das amostras estavam contaminadas

Foto: Reprodução

Beterraba: 32,6%.

Beterraba: 32,6%.

Foto: Getty Images

Maioria dos agrotóxicos do mamão se concentra na casca. Lavar bem em água corrente ajuda bastante a eliminar.

Maioria dos agrotóxicos do mamão se concentra na casca. Lavar bem em água corrente ajuda bastante a eliminar.

Foto: Reprodução

Tomate: 16,3% das amostras coletadas estavam contaminadas

Tomate: 16,3% das amostras coletadas estavam contaminadas

Foto: Reprodução

Laranja: 12,2%.

Laranja: 12,2%.

Foto: Reprodução






* Este texto foi retirado do site Brasil: últimas notícias – Último Segundo – iG e pode ser encontrado em http://ift.tt/1y5QdMW

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