Nasa encontra evidências de água líquida em Marte

Publicado por iRadio em Mundo

Publicado em 13 de abril, 2015 | Nenhum Comentário

O texto abaixo foi retirado em sua íntegra do site Último Segundo, do portal iG.

BBC

Resultados dão credibilidade a uma teoria segundo a qual marcas no planeta poderiam ser formadas por líquido corrente

O rover Curiosity, da Nasa, encontrou evidências de que pode existir água em forma líquida próximo à superfície de Marte. 

Por sua distância do Sol, o “planeta vermelho” seria muito gelado para conseguir manter água na forma líquida na superfície, mas sais no solo podem diminuir o ponto de congelamento, permitindo a formação de camadas de água bem salgada – como uma salmoura.

Veja imagens do “planeta vermelho”:

Marte sempre despertou interesse. A 1ª missão bem sucedida foi a 'Mariner 4', que sobrevoou o planeta em 1965. Na foto, dunas criam um desenho que parece uma tatuagem

Marte sempre despertou interesse. A 1ª missão bem sucedida foi a 'Mariner 4', que sobrevoou o planeta em 1965. Na foto, dunas criam um desenho que parece uma tatuagem

Foto: NASA/JPL/University of Arizona

Foto mostra camadas de diferentes tonalidades. No entanto, se você estivesse em Marte, talvez enxergasse outras cores nesta paisagem

Foto mostra camadas de diferentes tonalidades. No entanto, se você estivesse em Marte, talvez enxergasse outras cores nesta paisagem

Foto: NASA/JPL/University of Arizona

Marte tem este nome em homenagem ao deus romano da guerra. Planeta tem coloração avermelhada por causa da alta concentração de óxido de ferro. No centro da fot

Marte tem este nome em homenagem ao deus romano da guerra. Planeta tem coloração avermelhada por causa da alta concentração de óxido de ferro. No centro da fot

Foto: NASA/JPL/University of Arizona

Imagem mostra nuvens de poeira causadas por avalanche. Gelo de dióxido de carbono caiu de precipício de 2 mil metros e, provavelmente, foi derretido por raios de sol

Imagem mostra nuvens de poeira causadas por avalanche. Gelo de dióxido de carbono caiu de precipício de 2 mil metros e, provavelmente, foi derretido por raios de sol

Foto: NASA/JPL/University of Arizona

No polo sul do planeta vermelho, a paisagem é branca. Com temperaturas extremamente baixas, as extremidades do planeta são cobertas de gelo

No polo sul do planeta vermelho, a paisagem é branca. Com temperaturas extremamente baixas, as extremidades do planeta são cobertas de gelo

Foto: NASA/JPL/University of Arizona

Imagem aérea se assemelha a veias e artérias. Cientistas acreditam que paisagem pode ter sido criada por água em estado líquido há milhões de anos atrás em Marte

Imagem aérea se assemelha a veias e artérias. Cientistas acreditam que paisagem pode ter sido criada por água em estado líquido há milhões de anos atrás em Marte

Foto: NASA/JPL/University of Arizona

A cratera de Victoria foi explorada por uma outra missão da Nasa. A 'Opportunity' passou cerca de dois anos, entre 2006 e 2008, coletando informações nesta região

A cratera de Victoria foi explorada por uma outra missão da Nasa. A 'Opportunity' passou cerca de dois anos, entre 2006 e 2008, coletando informações nesta região

Foto: NASA/JPL/University of Arizona

As nuvens são de uma tempestade de areia em Marte. Cientistas estudaram este tipo de fenômeno para determinar o melhor local e a forma ideal de pouso do Curiosity

As nuvens são de uma tempestade de areia em Marte. Cientistas estudaram este tipo de fenômeno para determinar o melhor local e a forma ideal de pouso do Curiosity

Foto: NASA/JPL-Caltech/MSSS

A foto mostra, delineado com um círculo preto, o local de pouso do jipe-robô 'Curiosity' nas proximidades da cratera de Gale

A foto mostra, delineado com um círculo preto, o local de pouso do jipe-robô 'Curiosity' nas proximidades da cratera de Gale

Foto: NASA/JPL-Caltech/MSSS

Na foto, uma simulação de como foi o pouso do 'Curiosity' em Marte. Uma espaçonave amorteceu a decida do jipe-robô ao solo marciano

Na foto, uma simulação de como foi o pouso do ‘Curiosity’ em Marte. Uma espaçonave amorteceu a decida do jipe-robô ao solo marciano

Foto: Nasa

As primeiras imagens enviadas pela "Curiosity" foram assim, em preto e branco. Na foto grande-angular, é possível ver a sombra do próprio jipe-robô

As primeiras imagens enviadas pela "Curiosity" foram assim, em preto e branco. Na foto grande-angular, é possível ver a sombra do próprio jipe-robô

Foto: Nasa/JPL-Caltech

O Curiosity deve explorar Marte por pelo menos dez anos. Equipado com câmera capaz de identificar a composição de rochas, o jipe-robô tem geradores de plutônio capazes de fornecer energia por 14 anos

O Curiosity deve explorar Marte por pelo menos dez anos. Equipado com câmera capaz de identificar a composição de rochas, o jipe-robô tem geradores de plutônio capazes de fornecer energia por 14 anos

Foto: AP

Os resultados dão credibilidade a uma teoria de que as marcas escuras vistas nas imagens como paredes cheias de cratera poderiam ser formadas por água corrente. Essas descobertas recentes da Nasa foram divulgadas na publicação científica Nature. Cientistas acreditam que finas camadas de água se formam quando os sais no solo, chamados de percloratos, absorvem vapor de água da atmosfera.

A temperatura dessas camadas líquidas seria de -70°C – muito frio para abrigar qualquer tipo de vida microbiana da maneira que conhecemos. Formadas nos 15cm mais superficiais do solo marciano, essas salmouras também estariam expostas a altos níveis de radiação cósmica – outra coisa que poderia ser considerada um obstáculo para a existência de vida.

Mas ainda é possível que organismos existam em algum lugar sob a superfície de Marte, onde as condições são mais favoráveis.

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Ciclo de evaporação
Os pesquisadores reuniram diferentes linhas de evidências a partir do conjunto de informações trazidas pelo rover Curiosity.

O Sistema de Monitoramento do Ambiente do Rover (REMS, na sigla em inglês) – basicamente, a estação meteorológica do veículo – mediu a umidade relativa e a temperatura do local de pouso do rover na cratera de Gale.

A cratera de Gale já teve um lago com condições que podem ter sido favoráveis à vida

Cientistas foram capazes também de estimar o teor de água do subsolo usando dados de um instrumento chamado Dynamic Albedo of Neutrons (DAN). Esses dados reforçavam a evidência de que a água do solo estava ligada a percloratos. Finalmente, o instrumento de Análise de Amostras de Marte deu aos pesquisadores o conteúdo de vapor de água na atmosfera.

Os resultados mostram que as condições estavam adequadas para as salmouras se formarem em noites de inverno no equador de Marte, onde o Curiosity aterrissou. Mas o líquido evapora durante o dia de Marte, quando a temperatura aumenta.

Javier Martin-Torres, um co-investigador na Missão do Curiosity e cientista-chefe no REMS disse à BBC que a descoberta ainda é indireta, porém é convincente. “O que nós vemos são condições para a formação de salmouras na superfície. É parecido com quando as pessoas estavam descobrindo os primeiros exoplanetas”, afirmou.

“Eles não podiam ver os planetas, mas eram capazes de ver os efeitos gravitacionais na estrela. Esses sais de perclorato têm uma propriedade chamada liquidificação. Eles pegam o vapor de água da atmosfera e absorvem para produzir as salmouras.”

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Ele acrescentou: “Podemos ver um ciclo de água diário, o que é muito importante. Esse ciclo é mantido pela salmoura. Na Terra, temos uma troca entre a atmosfera e o solo pela chuva. Mas nós não temos isso em Marte.”

Embora se possa pensar que a água líquida se forma a temperaturas mais altas, a formação da salmoura é o resultado de uma interação entre a temperatura e pressão atmosférica. Acontece que o ponto ideal para a formação destas películas líquidas é a temperaturas mais baixas.

O fato de cientistas verem provas da existência dessas salmouras no equador de Marte – onde as condições são menos favoráveis – significa que elas podem aparecer ainda mais em latitudes maiores, em áreas onde a umidade é mais alta e as temperaturas mais baixas.

Nessas regiões, as salmouras podem até existir pelo ano todo.




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