Japão tem nova geração viciada em internet

Publicado por iRadio em Web e tecnologia

Publicado em 23 de fevereiro, 2015 | Nenhum Comentário

O texto abaixo foi retirado em sua íntegra do site INFO

Desde que acorda, Sumire, 18 anos, fala com as amigas pela internet: durante as aulas, tomando banho, ou quando vai ao banheiro. Como a maioria dos jovens japoneses, ela está 24 horas conectada, fato que preocupa cada vez mais os profissionais de saúde.

“Sempre que tenho um momento durante o dia, eu me conecto. Desde que eu acordo, até a hora de deitar. Acho que me sinto sozinha, quando não estou na internet, desconectada”, diz Sumire à AFP.

“Em todo lugar e a qualquer hora, converso com meus amigos no Line”, conta, referindo-se ao aplicativo de troca de mensagens instantânea, no qual cerca de 90% dos estudantes japoneses de Ensino Médio têm uma conta.

De acordo com uma pesquisa de 2013 feita pelo governo, 60% dos alunos do secundário, que tinham tido contato com o mundo digital desde muito cedo, mostravam fortes sinais de dependência da internet. De lá para cá, o uso da Web explodiu, e o número de telas se multiplicou junto com a oferta de equipamentos – smartphones, tablets, e-books, entre outros -, agravando o problema.

O fenômeno preocupa os profissionais da Saúde. Segundo um recente estudo do Centro de Pesquisa sobre Saúde Mental de Xangai, que analisou dados cerebrais de jovens viciados em tecnologia, essas práticas têm um impacto neurológico comparável ao da dependência do álcool, ou da cocaína. Criou-se, inclusive, uma especialidade médica dedicada a tratar os jovens do vício digital.

A questão é que, agora, a dependência é ainda mais difícil de ser detectada.

“Com os smartphones, já não é mais necessários se trancar no quarto [para acessar o computador]. Com isso, fica mais difícil se dar conta de que alguém tem um problema”, explica o psiquiatra Takashi Sumioka, que oferece um programa de “desintoxicação digital”.

No tratamento, o médico pede aos pacientes que redijam um diário “para que vejam até que ponto estão dependentes do smartphone e da conexão à internet”. Ele conta que a “cura” pode levar até seis meses. O número de casos tratados por esse especialista triplicou entre 2007 e 2013.

‘Uma pessoa totalmente diferente’ – “Esse tipo de obsessão é provocado pelo temor de ser deixado de lado, ou até sofrer bullying em um grupo, se você não responder as mensagens rápido o suficiente”, explica o doutor Sumioka.

Segundo ele, a necessidade incontrolável de comprovar seu pertencimento a um grupo e de seguir suas regras mostra uma característica da cultura japonesa, que tende a rejeitar o que é dissonante e não estimula que alguém seja diferente dos demais.

“O Japão é uma sociedade conformista. As pessoas não defendem necessariamente suas opiniões, simplesmente seguem o grupo”, comenta Sumioka.

Essa sociabilidade “eletrônica” não equivale, porém, às interações humanas da vida real, lembram os especialistas, que alertam para o risco de se privilegiar quase que exclusivamente os contatos on-line. Muitos japoneses se sentem, agora, muito mais confortáveis nas conversas pela internet do que fora dela, aponta a professora de Informática Miki Endo, que organiza desde 2002 cursos sobre o vício na Web.

Ela relata o caso de uma aluna de 22 anos. “Depois da aula, ela me pediu autorização para navegar na internet, já que seus pais a proibiam de usar em casa”, conta Miki, que viu a jovem se transformar diante de seus olhos.

“Durante 10 minutos, ela era uma pessoa totalmente diferente. Quando se conectou às redes sociais, ela começou a falar em voz alta e a rir. Ela, que costumava ser muito introvertida, parecia ter-se esquecido da minha presença”, completou.

‘Nunca saía do quarto’ – No espaço de uma década, o vício nas novas tecnologias mudou completamente de natureza. Antes, afetava os fãs de videogames, como Masaki Shiratori, que, com 11 anos, passava os dias lutando na internet contra monstros imaginários.

Ao contrário dos jovens de hoje, ele queria fugir da realidade e das obrigações da vida em sociedade.

Preso em seu console por até 20 horas diárias, travava combates no game on-line “Arado Senki” (“Dungeon Fighter Online”), não ia mais às aulas, parando apenas para dormir, mergulhado em um universo muito mais acolhedor para ele do que a escola.

“Nunca saía do quarto, a não ser para ir ao banheiro”, revela. Masaki conseguiu largar o mundo virtual e voltar à vida social apenas aos 14 anos, quando seus pais o internaram.

Depois de anos de terapia e de sua passagem por um instituto especial, o jovem, hoje com 20 anos, estuda Informática em uma universidade perto de Tóquio. Agora, ele espera poder viver de seus conhecimentos… mas no mundo real.

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